Três porquinhos

Era uma vez três pequenos porquinhos que partiram à procura de um lugar onde pudessem construir uma casa.

Cada um escolheu um caminho diferente.

O primeiro queria apenas chegar depressa. Acreditava que o tempo resolveria aquilo que deixasse por fazer.

O segundo preocupava-se com aquilo que os outros veriam. Queria uma casa bonita, admirada, elogiada. Pouco pensou naquilo que ninguém conseguiria ver.

O terceiro demorava-se. Enquanto os outros já descansavam, ele continuava a colocar pedra sobre pedra. Não porque soubesse mais. Nem porque fosse mais forte. Mas porque acreditava que tudo o que merece durar precisa de tempo.

Durante muito tempo, parecia que todos tinham razão.

As três casas permaneciam de pé.

Vista de longe, nenhuma parecia melhor do que a outra.

E, quando os dias são serenos, quase tudo parece suficiente.

Mas a vida tem uma estranha forma de nos recordar que nem todos os dias são de céu limpo.

Um dia, o vento chegou.

Não trouxe avisos. Não escolheu caminhos. Não distinguiu quem merecia ou quem não merecia.

Apenas soprou.

E foi então que aquilo que parecia igual revelou que nunca o tinha sido.

Há construções que vivem da pressa.

Outras vivem da aparência.

E há aquelas que nascem da paciência, da verdade e do cuidado.

O vento não criou nenhuma fraqueza.

Limitou-se a revelar aquelas que sempre lá estiveram.

Talvez aconteça o mesmo com as pessoas.

Há quem construa relações com promessas que duram apenas enquanto tudo é fácil.

Há quem ofereça palavras bonitas, mas esqueça os gestos quando eles mais fazem falta.

Há quem mude conforme o dia, conforme o humor, conforme a conveniência.

E há quem permaneça.

Silenciosamente.

Sem precisar de prometer o mundo, porque faz do pequeno uma forma de amor.

Com o tempo, o terceiro porquinho percebeu que construir uma casa nunca foi apenas levantar paredes.

Era escolher, todos os dias, o material com que queria viver.

Há quem escolha o orgulho.

Há quem escolha a pressa.

Há quem escolha a verdade.

E cada escolha deixa uma marca nos alicerces.

Anos mais tarde, o vento voltou.

Mais forte.

Como sempre volta.

Mas já não encontrou apenas uma casa.

Encontrou tudo aquilo que tinha sido construído com tempo, honestidade e presença.

Porque o tempo pode desgastar as paredes.

Mas nunca derruba aquilo que foi erguido com verdade.

E talvez a maior lição nunca tenha sido sobre casas.

Talvez sempre tenha sido sobre nós.

Sobre a forma como entramos na vida uns dos outros.

Sobre aquilo que escolhemos construir em quem confia em nós.

Porque uma palavra pode erguer um teto.

Mas também o pode fazer ruir.

E, no fim, não é o vento que define quem somos.

É aquilo que decidimos colocar nos alicerces quando ninguém estava a ver.


ISTO NÃO É SOBRE OS TRÊS PORQUINHOS!

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