Aqueles que não se dobram.

Há quem escolha o atalho, a estrada lisa, a ilusão do fácil.

Mas há também os que caminham contra o vento, 

os que tropeçam, sangram e continuam, 

porque sabem que o brilho do justo nasce da poeira da queda.


Vivem num mundo onde a verdade se vende ao preço da conveniência,

onde promessas se fazem com lábios frios

e se desfazem no primeiro sopro de interesse.

Um mundo que aplaude a máscara e esquece o rosto,

que admira a voz alta e teme o coração íntegro.


E mesmo assim, há quem não se curve.

Quem aceite o peso das pedras e das palavras,

quem prefira a dor da honestidade à leveza da mentira.

Quem saiba que a justiça, por vezes, tarda - mas nunca esquece.


Esses não pedem piedade.

Arregaçam as mangas diante da ingratidão,

ouvem o "não" e transformam-no em degrau.

Caem, e na queda aprendem o nome da força.

Erguem-se, mesmo quando o chão ainda os chama.


Não se vendem por conforto,

nem trocam a alma por um sorriso falso.

Sabem que o caminho mais curto leva ao vazio,

e que só quem enfrenta a tempestade

aprende a dançar com o relâmpago.


São os que, diante da injustiça, permanecem de pé.

Os que não permitem que lhes pisem a dignidade,

mesmo que lhes tirem o chão.

Os que sabem que a mentira tem pressa,

mas a verdade tem raízes.


E quando o mundo os quer ver calados,

respondem com o silêncio sereno

de quem sabe o valor de uma consciência limpa.

Porque há guerras que se vencem na calma,

e batalhas que se ganham apenas por não desistir.


Que venham as quedas, as promessas quebradas, as portas fechadas -

a alma que se mantém justa nunca fica no escuro.

Pois a luz que nasce da resistência, 

é a única que o tempo não apaga.



ISTO NÃO É SOBRE A CINDERELA.

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