A Kiki ❤

Ao longo desta nossa aventura juntos, pelas gentes de Boticas, foram já várias as histórias que contei.
Este mês, a história que quero contar, é uma história de coragem e de luta! E a versão que vão ler, é a melhor parte desta história. Porque não interessa tudo que está para trás, não vale a pena mencionar o óbvio sofrimento, quando o importante é realçar a força de vontade de uma menina e a coragem de uma mãe.

O nome dela é Cristiana, mas a maioria conhece-a por Kiki. Foi no hospital que ganhou o carinhoso diminutivo, pela boca de um enfermeiro, que a conheceu desde o dia em que nasceu. Que sempre acompanhou a sua vida e todos os processos pelos quais foi passando. Um enfermeiro que deixou de ser apenas um enfermeiro, ao criar um vínculo de amor e amizade, com a protagonista da nossa história.

A Kiki tem treze anos e obviamente, é uma menina diferente. Mas diferente porque é especial. A diferença é difícil de ser aceite pela sociedade, mas como pode ser difícil aceitar uma menina que esbanja amor e felicidade? A Kiki tem o coração no mesmo lugar que o nosso, mas certamente tem o coração mais puro que a maioria das pessoas.
Mas quando falamos em protagonista, temos de automaticamente lembrar que por trás da estrela da nossa história, existe uma mãe. Uma mãe guerreira, lutadora e feliz.

Quando falei com a dona Anabela, não me emocionei apenas com a história da sua filha. Emocione-me com a maneira que ela fala de tudo que já passaram juntas, e com o brilho nos olhos! Um brilho puro e de quem realmente ama. Não seria necessária uma única palavra, para percebermos a quantidade incalculável de amor que existe entre as duas.

A Kiki frequenta a escola de Boticas, onde se sente integrada pela maioria dos colegas, pelos professores e funcionários. O seu transporte para a escola é executado através de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Boticas. E este é um dos maiores amores da nossa princesa, os bombeiros! Ela adora os bombeiros, e isso deve-se muito ao facto de ser tratada de forma exemplar pelos mesmos. Uma confidência feita pela mãe da Kika, é que apesar de ela ter a vontade de frequentar a escola em Chaves, ou seja, de continuar a estudar, para o fazer tem de ser num curso que consiga coincidir com os horários dos bombeiros, porque isso é uma certeza na sua vida. Percebendo a sua condição, é óbvio que o trabalho tem de ser adequado, no entanto não existem impossíveis para a Kiki e existe um vasto leque de escolhas, para preencher e realizar este seu sonho.

Outro dos amores da Kiki, é o rancho de Covas do Barroso, ao qual pertence. A sua presença tornou- se essencial no rancho, e mesmo apesar da sua deslocação difícil, os restantes membros do rancho fazem questão que participe assiduamente, ajudando no transporte, ajudando com a cadeira de rodas. Ela é completamente fã de música folclore, então não se admirem que no verão, sempre que haja festa na vila, a Kiki esteja presente e na fila da frente.

A pintura é uma das coisas de que mais gosta, e a realidade é que o seu talento não passa despercebido, visto que já participou em exposições e irá participar em mais uma. Esta paixão deve-se muito à sua professora de educação visual, Mariline Pinto, a quem a dona Anabela agradece profundamente. Tudo que pinta tem muita cor, tal como a sua vida. Isto demonstra, mais uma vez, que apesar dos momentos mais complicados, ela faz da sua vida luz. Ela é luz, na vida de quem a rodeia!

Quando a Kiki vai para o hospital, a sua mãe confidenciou que é impossível que se sinta sozinha, porque em qualquer canto tem um amigo. Sendo até uma animação o facto de conseguir conviver com os seus amigos que se inserem no sistema de saúde, médicos e enfermeiros.

A Kiki é uma força da natureza, é uma menina que vive intensamente e que faz viver de forma apaixonada. Foram já várias as vezes, que os médicos se surpreenderam com a forma rápida como recuperou, mas isso deve-se tudo a uma única coisa: força de vontade! E se existe essa força de vontade, é porque a mãe sempre lhe transmitiu confiança, sempre lhe demonstrou aquilo que realmente importa e sempre a educou e amou da forma correta.

Vou contar uma pequena história, que demonstra pura e simplesmente a sua força e alegria em viver. Houve uma festa na aldeia da Kiki, onde participou também o rancho e nessa altura ela teria um pouco de dores nas costas, mas a mãe tinha-lhe prometido que iriam sair mais tarde e ela poderia ir. Durante a festa a Kiki, obviamente, estaria a aproveitar a música folclore quando a sua mãe estava mais distante, e a mãe sabia que quando estava de costas voltadas, ela estaria quieta devido às dores, mas quando se virava e olhava, ela dançava e lentava os braços. E sabem porquê? A Kiki quer viver! Quer sair, quer conhecer lugares novos, pessoas novas!

Esta é a história que queria partilhar, e que sirva para entendermos quais a verdadeiras prioridades da vida, o que realmente importa. Que sirva para nos dias menos bons de cada um, olharmos para o lado e percebermos que não há histórias iguais, existem pessoas que passam por situações bem piores que aquela que estamos a viver no momento e mesmo assim essas pessoas têm ânsia de viver. Têm coragem para enfrentar cada dia, e mais do que elas próprias viverem felizes, fazerem os que as rodeiam felizes.
A Kiki é amor. Coragem. É diferente por ser tão especial!

A mãe da Kiki pediu para fazermos um agradecimento ao senhor Meireles, um emigrante da freguesia de Beça, que ofereceu à Kiki a cadeira de rodas que tem atualmente e que permite que ela se torne muito mais independente. De salientar a atitude e bondade deste senhor que sem conhecer a menina, decidiu de forma totalmente gratuita ceder-lhe uma cadeira de rodas com um custo tão elevado. Esta atitude faz-nos acreditar que existem neste mundo pessoas que valem a pena, faz-nos acreditar que tudo vale a pena!

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